Home
     Curriculum
     Fotografias
     Downloads
     Artigos
     Referências
     Frases
     Entrevistas
     Links
     Contactos
 
Porto Canal agora ou nunca - 5 Abril 2006

 

Há muitos e muitos anos, ainda o Brasília, na Rotunda da Boavista era a coqueluche dos centros comerciais, vi pela primeira vez um anúncio a falar de uma televisão regional.

Quem por lá passava nessa altura deve lembrar-se de um placard no último andar, colocado junto à entrada para o cinema Charlot, onde se anunciava uma televisão para o Porto. Já não sou capaz de me recordar do nome, mas guardo na memória que alguns empresários de renome, como Salvador Caetano, eram dados como interessados no projecto e talvez por isso, acreditei que a coisa ia para a frente... e disso lembro-me muito bem.

Não foi. O que foi para a frente (mas também para o chão pouco depois...) foi a NTV, que teve um pecado original de que nunca se conseguiu livrar: foi criada a partir de Lisboa e foi pensada para ser para todo o país, a partir do Porto.

Uma televisão regional tem que emanar das forças vivas da região que pretende servir e partir do princípio que os telespectadores da região envolvente é que são o seu público natural e primeiro. Salvo melhor opinião, é assim em todas as televisões regionais do mundo.

Isso não significa que só possa ou só seja vista na região. Desde logo há públicos afectivamente ligados à Região, deslocalizados por motivos pessoais ou profissionais. Mas também é preciso contar com o apelo da qualidade: se o produto for bom, fixado o público alvo, outros públicos se seguirão.

Já a primeira regra parece-me incontornável. Se se quer uma televisão regional do Porto têm que ser as pessoas, as empresas e as instituições desta região a sustentarem essa vontade.

Depois dos arremedos do Brasília e do fracasso liminar da NTV, há um grupo de jovens empreendedores, capitaneado por Bruno Carvalho, que se atreveu a lançar um projecto como deve ser, oferecendo-nos a todos uma terceira oportunidade.

Será que à terceira é de vez? Mais do que pernas para andar, parece-me que o projecto também tem cabeça para poder caminhar na boa direcção sem fugir para maus caminhos ou cair no primeiro precipício.

Estamos a lidar com gente honesta e credível, que foi responsável pelo melhor período e pelas melhores audiências na NTV, na época em que se tentou endireitar, tarde, o que tinha nascido torto.

Estamos perante um projecto que quer ter o seu capital de investimento disseminado pelas empresas, instituições e investidores da região, fugindo e bem de uma eventual dependência de algum poder político instalado ou em vias de instalação.

Estamos a ser seduzidos por uma programação que visa em primeiro lugar os habitantes da região a que promete dedicar-se, sem preconceitos e sem megalomanias.

Estou farto de ouvir gente do Porto queixar-se que o Porto não tem voz, e depois são os primeiros a fugir quando lhes põem um microfone à frente.

É disto que se trata e terão que ser as gentes do Porto a dizer de uma vez por todas se querem ou se não querem uma televisão regional. Como aquele programa que o Jorge Gabriel popularizou, é agora ou nunca.

 



  Seara.com