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Tempo de Quaresma - 8 Abril 2006

 

Jejum de golos e abstinência de emoções é tudo o que não se deseja para o Sporting-Porto de hoje... e conto com Quaresma para isso.

No jogo da Taça, porque houve prolongamento e até foi preciso chegar às grandes penalidades, quem fez a diferença equipava de luvas: Ricardo marcou mas foi Baia que levou a melhor, desfeiteando o ímpeto inicial de João Moutinho.

Hoje, a história é outra. Se o jogo tiver que acabar empatado, os guarda-redes vão logo para o banho. Existem noventa minutos, mais alguns que Proença – o – árbitro há-de conceder, para que alguém faça a diferença e desta vez não me parece que Ricardo e Helton vão ser muito falados, no prolongamento das conversas que hão-de estalar na noite mais longa deste campeonato nacional.

Com aquela minha mania já revelada de que os génios é que fazem a diferença, sobretudo quando as equipas parecem fadadas para o equilíbrio, insisto que em Alvalade, esta noite, vai ser noite de Quaresma e não é só porque estamos nas vésperas da Páscoa.

 

Todos sabemos que antes de vestir a camisola azul e branca, Ricardo Quaresma despontou no Sporting, mas também não é por nenhuma sede especial de vingança que acho que ele vai ser a chave do “derby”.

Hoje à noite não faltarão grandes jogadores no relvado de Alvalade. Mas nenhum capaz de igualar a magia de Quaresma, quando está nos seus dias.

O Sporting tem vários profissionais credores da minha admiração:

Desde logo Ricardo, que entre a publicidade aos frangos e a residência na Quinta do Peru, a verdade é que pegou de estaca na baliza dos leões e não há meio de largar a titularidade na selecção de Scolari.

 

Depois João Moutinho, que pode não ser o melhor marcador de penaltis do mundo, mas é um jovem talento que já está a prometer uma boa receita futura, a ver se não é preciso vender o património da polémica leonina.

Finalmente outro Ricardo, Sá Pinto, gente de boa cepa, maduro para colher, mas firme para o que der e vier. Dentro do campo dá tudo o que tem para dar e fora dele às vezes continua a dar onde não devia, mas isso agora já não interessa nada.

No F.C.Porto também não falta quem agrade a muita gente. Na defesa o Pepe é uma revelação e vai ser o dono da bola no dia em que for capaz de estar concentrado durante os noventa minutos.

 

No meio campo para além desse mistério de Assunção que teve de andar a rodar no Nacional, AEK e Porto B antes de assentar no onze, o regressado Lucho González é a estrela da companhia com aquele ar de falso lento que há-de fazer história no Mundial da Alemanha.

Para além destes nomes também outros como Benni McCarty, se usar a cabeça e Carlos Martins, se a cabeça ajudar, podem sobressair no jogo que o Sporting não pode perder. Mas ninguém poderá fazer de Quaresma quando quisermos saber onde está o génio.

 

Não é absolutamente seguro que Quaresma marque o golo da vitória ou assista de trivela a fivela do colega que há-de marcar. Mas tenho a certeza que se for necessário um lampejo de génio para desempatar um jogo de empatas, é deste Ricardo e não dos outros, que ficaremos a falar na ressaca do jogo.

Ricardo, coração de dragão, em tempo de Quaresma.



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