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Só os camelos gostam da travessia do deserto - 29 Março 2006

 

It's the same old story! Paulo Portas andou por ai um ano, desempregado da política e regressou com estrondo. É fatal como  o destino. O antigo director de "O Independente" é uma boa amostra de que um político profissional volta sempre ao local do crime.

Só os camelos é que pensam que a travessia do deserto é um caminho interminável. A política pode não ser a profissão mais antiga do mundo, mas é uma profissão como todas as outras. Mesmo aqueles que fazem dela uma profissão de fé, têm dificuldade em acreditar que o cheiro do poder seja menos viciante que outros cheiros tão em voga na sociedade actual.

Tal como um cirurgião, finda uma operação, já tem a cabeça a pensar na próxima, ninguém será capaz de me convencer que um político profissional como Paulo Portas, acabada a  coabitação com Santana Lopes, não tivesse logo outra operação em vista.

 

É evidente que existem algumas derrotas em política que deixam marcas. Claro que é preciso saber sair a tempo para poder ter tempo para voltar. Também neste particular, Paulo Portas, foi exímio. Saiu, quando podia ter ficado, para garantir que pode voltar quando quiser, mesmo contra a vontade dos que preferiram que ele saísse.

Sendo seguro que Cavaco na presidência não vai ser um pai para a Direita, o sentimento de orfandade, não há Congresso que o resolva. A falta de carisma (e também de novidade...) do actual líder do PSD (apesar do esforço e das boas intenções) ajudam a engrossar a convicção que a equipa da Oposição está a jogar sem um verdadeiro "número dez" . Os que julgavam que era só Adriaanse, já ficam a saber.

 

José Ribeiro e Castro ganhou o Congresso do CDS com a mesma facilidade e pelas mesmas razões que a minha sobrinha Inês me ganha na PlayStation. Não é a  incompetência do adversário que faz de um líder um vencedor nato.

Nos meus tempos do liceu António Nobre (e no deles se calhar também...) Marques Mendes e Ribeiro e Castro até podiam ser os melhores alunos da sala, mas nunca chegariam a chefes de turma. Nem namorariam com a colega mais atraente, por muito que  a ajudassem nos trabalhos de casa. Há alguma coisa de profundamente  antigo e verdadeiro naquele desejo de Pires de Lima   de que o CDS fosse mais "sexy"!

 

Quem julga que é por causa de um vereador da Câmara do Porto ter dito o que pensava sem pedir licença a ninguém, que Ribeiro e Castro resolveu convocar um Congresso, está terrívelmente enganado. Sampaio Pimentel limitou-se a reparar que o rei vai nu.

Não posso jurar que o líder do CDS não tenha assistido no último fim de semana aos magníficos desfiles do Portugal   Fashion. O que posso afirmar sem medo é que não há nenhum estilista da política capaz de fazer um  fato que disfarce a falta de jeito que Ribeiro e Castro tem para desfilar na passerelle do poder.



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