Home
     Curriculum
     Fotografias
     Downloads
     Artigos
     Referências
     Frases
     Entrevistas
     Links
     Contactos
 
É urgente mudar esta lei eleitoral - 19 Abril

 

Não é preciso ter andado na tropa para perceber o que é falta de camaradagem. Sobram exemplos no nosso quotidiano, tanto mais agora que a vida em sociedade tem conhecido uma grande evolução nas formas de egoísmo mais requintadas.

Há vinte anos atrás era o organizador e principal responsável por uma equipa de futebol amador chamada Dragões 85. O nosso “campeonato nacional” era uma coisa chamada “Torneio dos Patricius”, que uns rapazes da minha geração levavam a cabo no Colégio dos Maristas que era um espaço poderoso na Avenida da Boavista que tinha então o Hotel Sheraton (hoje Porto Palácio) em frente e agora tem atrás.

 

Os jogos eram ao fim de semana e o sorteio nem sempre ditava os horários mais convenientes. Ou porque era o primeiro jogo, bem cedo, no Domingo de manhã e a noite de Sábado acabara tarde demais, ou porque a hora era a mesma dos jogos, verdadeiros, dos nossos clubes do coração no Bessa e nas Antas. Até que um dia a coincidência foi fatal: mesmo em cima de um Porto – Benfica, nos tempos em que era mais difícil perder com o Benfica e ser campeão.

Consciente das dificuldades andei a semana toda a lembrar o dia e a hora do nosso jogo, aos meus colegas, não fosse alguém ter um ataque de falta de memória num domingo tão conveniente como este. Podíamos alinhar com 6 e tínhamos 12 jogadores inscritos. Como já devem ter adivinhado, não houve quorum e perdemos por falta de comparência.

 

Os cinco que honraram o compromisso (mais a equipa adversária, que até suplentes tinha...) ficaram furiosos, com razão, por terem perdido pau e bola: nem jogamos, nem fomos ao “clássico” . Os Dragões 85 morreram nesse dia. Mesmo que a sanção tenha sido injusta para os cumpridores, senti que a falta de camaradagem é talvez a única falta com que uma equipa não pode viver.

Para além de tudo o que os 107 deputados que faltaram ao plenário da Assembleia da República (e abortaram a aprovação de leis por falta do quorum exigido) também demonstraram, foi uma grande falta de camaradagem.

A falta de respeito pelos eleitores, a falta de dignidade inerente ao cargo, a falta de qualquer justificação plausível, a falta de brio profissional, a falta de senso e até a falta do decoro mínimo exigível a um deputado, já fizeram correr muita tinta nos últimos dias.

 

Todas estas faltas são muitas faltas e faltas muito graves, para quem é suposto ter assumido um compromisso com a Nação, mas eu, que já perdi um Porto – Benfica, sei bem o que sentiram os 110 deputados que acordaram a pensar que iam aprovar leis e não os deixaram. A falta de camaradagem dos deputados faltosos com os colegas do partido e com os adversários, só porque quiseram começar a Páscoa mais cedo, é aviltante.

Nesta semana em que a Assembleia há-de ressuscitar (e com os Judas todos vivinhos da silva) penso melhor e noto que há uma pequena nuance que pode tornar a falta de camaradagem da minha equipa, há vinte anos, bem mais grave do que esta fuga dos deputados para férias: em 85 eu pude escolher os melhores. Um a um!



  Seara.com