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A gaiola dos malucos - 14 Abril 2006

 

Dizer mal é um desporto nacional. De que eu também sou muitas vezes praticante, mas sempre com o cuidado de separar o que é profissional do que é pessoal.

Gosto muito da Teresa Guilherme. Mas nunca deixei que o meu apreço pessoal influísse na relação profissional. Nos negócios o que sempre me interessou e ainda hoje me interessa, é que estou relacionado com uma empresária honesta, competente e competitiva. Por acaso, também é admirável como pessoa, mas isso para o caso não interessa nada.

 

Sempre admirei o Herman José. Aprendi a rir com ele na televisão e na revista, contabilizei muitos quilómetros de riso no carro, graças às suas crónicas na TSF e devo-lhe uma das passagens de ano mais divertidas da vida, “passada” com ele na Pensão Estrelinha. Fora dos escritos e dos écrans é outra pessoa, e todos sabemos de contos e ditos que, entre a verdade e a pura fantasia, nos falam de um Herman privado bem diferente do que é público. Mesmo imaginando que acredito nas piores insinuações, isso muda o que penso dele como autor, actor e entertainer? Não. Nunca!

 

O Paulo Portas é um caso paradigmático de um político que sempre prometeu muito desde pequenino. Parece que é do Sporting e como este clube nos últimos tempos, tem estado quase sempre muito próximo dos objectivos. Como director de O Independente, quase que ultrapassou o Expresso e como político quase chegou a primeiro ministro. Ainda assim o respeito que a sua vida profissional me infunde não é minimamente beliscado pelas noticias que dão conta de uma vida pessoal agitada.

A Kate Moss é uma referência no mundo da moda, irrepreensível no seu comportamento profissional, enquanto manequim das melhores marcas mundiais. Rezam as crónicas que na sua vida privada não será propriamente a Madre Teresa de Calcutá. Paciência. O Cristiano Ronaldo e o Wayne Rooney, apesar dos fabulosos golos que marcam, nem sempre escolheram as namoradas certas?  Acham que, como futebolistas, os considero menos por isso? Claro que não!

 

O Ferreira Fernandes é o melhor cronista português da actualidade. Acontece que foi comunista, é benfiquista e até admito que tenha tido várias namoradas ao mesmo tempo, porque os bons contadores de estórias merecem quem os ouça de perto. Cioso das minhas ideias e invejoso das minhas suposições, sou capaz de mudar a minha opinião sobre o seu lugar no panorama da imprensa portuguesa? Já adivinharam que não.

 

Os vícios privados de figuras públicas têm sempre um julgamento num tribunal diferente do das suas públicas virtudes. Não podemos fingir que não existem, mas não se misturam.

Falemos de presidentes de clubes, esses “grandes malucos”. Mesmo podendo ser acusado de ser um Soares pouco franco por ter voltado com a palavra atrás (“porque o coração tem razões que a própria razão não sabe explicar”) é convicção generalizada entre os sportinguistas que tem sido um bom presidente.

Pinto da Costa foi o melhor presidente do F.C. Porto, de toda a sua história. Isto posso eu dizer, que nasci em 59. O resto, quem o pode julgar, já morreu há quase dois mil anos. Como dizem os católicos, cada um trata de si e Deus de todos.

 



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